Design pode transformar o sistema de saúde

Experiência acaba com salas de espera


Design pode transformar o sistema de saúde

Na semana passada, tive a oportunidade de assistir a uma apresentação de Stacey Chang, fundador e diretor executivo do Design Institute for Health, que vem revolucionando o atendimento na saúde no estado norte-americano do Texas. Apesar da formação em engenharia pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) e pela Universidade de Stanford, atualmente ele trabalha em parceria com a faculdade de medicina da Universidade do Texas, em Austin. O projeto que está sendo posto em prática aboliu salas de espera e os resultados são medidos não pelos procedimentos realizados, e sim pelos indicadores de evolução do quadro do paciente.

Para Chang, responsável pela ideia que parecia inviável à primeira vista, o ensino tradicional de medicina é parte do problema: “ele é baseado em pesquisa, educação e clínica. Como pesquisa e educação não trazem retorno financeiro, há uma ênfase em procedimentos e tratamentos de grande complexidade na parte de atendimento clínico. O resultado disso é a falta de incentivo aos cuidados de prevenção. O modelo atual não funciona mais, é preciso que o ser humano volte a ser o centro do sistema”.

 

Por isso, a proposta foi radical: a remuneração não vem do número de procedimentos executados, e sim do resultado obtido, ou seja, quando o paciente melhora. O trabalho de convencimento foi intenso e incluiu uma mudança no layout do atendimento, com o fim da sala de espera, como Chang explica: “em vez de os pacientes aguardarem sua vez, cada um é encaminhado para uma sala. O espaço é dele, e não dos profissionais de saúde. A pessoa poderá ser atendida por um médico, enfermeiro, fisioterapeuta, tudo numa só visita, porque o objetivo não é a consulta em si, e sim seus desdobramentos”.

Chang lembra que a natureza das doenças mudou e hoje convivemos com obesidade, hipertensão, diabetes, depressão. Na sua opinião, essas não são enfermidades para serem atendidas em hospitais, que foram concebidos há séculos para dar conta de infecções em massa ou feridos de guerra: “as pessoas vivem com doenças e apesar delas. Temos que repensar a forma de lidar com a situação, porque seu manejo já se dá em casa, às vezes com o uso de celulares e tablets. Precisamos expandir essas fronteiras e passar a cuidar da saúde dentro das próprias comunidades. Em vez de ir a uma clínica, que só reforça a carga negativa do quadro, por que não participar de grupos e discussões em bibliotecas e centros comunitários?”, propõe.

A vizinhança deve ser encarada como um ambiente acolhedor para o que Chang chama de “normalizar a conversa sobre o assunto”: “se falamos com amigos e conhecidos sobre alimentação e exercício, por que não incluir hipertensão e diabetes nesse papo? É um modelo que se aplica a doenças mentais. Se tornamos o assunto natural e conversamos sobre isso, o estigma diminui, o que ajuda o paciente. Infelizmente, o que acontece hoje é que muitas vezes reconhecemos os sinais, mas fingimos não ver e nos omitimos, quando poderíamos intervir preventivamente”.

 

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